Sindban lança projeto que acolhe bancárias vítimas de violência

O Sindban lançou nesta sexta-feira, 06/03, na sede da entidade, um serviço de acolhimento e orientação a bancárias v ítimas de violência: o Sindban Acolhe.

O evento contou com a participação da diretoria do sindicato, das vereadoras Nancy Thame e Adriana Sgrigneiro, da delegada Monalisa Fernandes dos Santos, da coordenadora do CRAM Vanessa Rossato, da presidenta do PT Peneloti Mendes, da ex-vereadora Rai de Almeida, entre convidados.

A iniciativa foi tomada tendo em vista o aumento no número de casos de violência contra a mulher no Brasil e também nas cidades da base do sindicato.

Bancárias – Além do assédio moral por atingimento de metas e assédio sexual, as bancárias também sofrem com a violência, seja no ambiente de trabalho, seja em suas relações.

Os dados da pesquisa Perfil Bancário de 2020, realizada em janeiro, apontam que 14,18% das mulheres das cidades da base do Sindban já sofreram assédio moral nas agências praticado por colegas de trabalho, sobretudo de chefias. Já 0,9% das bancárias afirmam ter sofrido assédio sexual no ambiente de trabalho.

Segundo Angela Ulices Savian, presidente interina do Sindban, “;esse número deve ser maior, pois há ainda muito medo da denúncia. Para se ter um exemplo, apenas de uma agência este ano recebemos sete denúncias de assédio sexual “;.

Frases -; Na edição do Perfil Bancário deste ano, o Sindban inovou ao solicitar da categoria uma frase ouvida no ambiente de trabalho recentemente. O resultado impressiona. A seguir alguma das frases: “;tem que cumprir as metas nem que morra “;; “;Você é só um número “;; “;Se não fizer vou te mandar embora! “;; “;você não sabe do que sou capaz! “;; “;Trocou seu batom? Que perfume você usa? “;; “;Quando voltar da licença maternidade será dispensada! “;.

O Sindban Acolhe oferece atendimento jur ídico, psicológico e assistencial às mulheres v ítimas de violência doméstica.

Em parceria com a Rede de Atendimento e Proteção à Mulher, auxilia as v ítimas em questões c íveis (divórcio, guarda, pensão, danos moral, patrimonial ou estético, entre outras) e penais (medida protetiva e demais ações da Lei Maria da Penha). Isso inclui uma articulação com o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), com a Defensoria Pública, com a Delegacia de Defesa da Mulher e OAB.

Em médio e longo prazos, o projeto prevê a oferta, tanto para homens quanto para mulheres, de oficinas e palestras sobre o tema violência contra a mulher. “;é preciso entender também os motivos que levam os homens a cometer tanta violência. Se os homens fazem parte do problema, também podem fazer parte da solução “;, conclui Angela.

O Sindban Acolhe mantém uma equipe devidamente treinada para atender a esses casos. Assim, a bancária v ítima de violência pode ser atendida a qualquer momento na sede do Sindicato, em ambiente reservado, escuta humanizada e os casos mantidos em sigilo. Se preferir, pode agendar atendimento pelo telefone (19) 3417-1333, basta dizer Sindban Acolhe que os atendentes saberão como encaminhar o caso.

Dados sobre violência – Em três anos, 3.200 mulheres foram v ítimas de feminic ídio no Brasil segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que leva em consideração dados de 2016, 2017 e 2018.

Em 2015, a taxa de feminic ídios era de 4,8 para 100 mil mulheres -; a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). E cerca de 58% das mulheres mortas em 2017 foram v ítimas de seus companheiros ou membros da fam ília.

O Brasil registra um caso de agressão a mulher a cada quatro minutos. No ano passado, foram registrados mais de 145 mil casos de violência doméstica. E no Estado de São Paulo, os casos de feminic ídio aumentaram 44% no primeiro semestre de 2019.

Infelizmente, em Piracicaba, os dados correm no mesmo sentido. Os casos de feminic ídios na região de Piracicaba (SP) aumentou em 2019. De acordo com um levantamento feito pela EPTV, afiliada TV Globo, foram dois casos na cidade em 2018 e, este ano, subiu para seis.

Outras formas de violência -; A violência contra mulher não se inicia no feminic ídio. Na realidade, os agressores dão outros sinais, como condutas autoritárias, brigas, ameaças, várias formas de violência f ísica e psicológica.

E esses casos também registraram alta no último per íodo. A Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil de Piracicaba, criada em 2017, recebeu 361 medidas protetivas a serem cumpridas em 2018. No ano passado, esse número saltou para 527 medidas. Um aumento de 46%.

O número de prisões em flagrante saltou de 13 em 2018, para 30 em 2019, ou seja, 130% a mais de prisões. Para atender a essa demanda, as equipes da Patrulha fizeram 14.732 rondas monitoradas em 2019, ante 9.189 em 2018, em um aumento de 60%.

Não se mete a colher – Infelizmente, a percepção dos brasileiros é de que assuntos relacionados à violência doméstica devem ser tratados no âmbito familiar.

Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 2013 revela que 63% dos entrevistados defendem que os casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da fam ília. Já 87% dizem que em briga de marido e mulher não se mete a colher.

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1 comentário em “Sindban lança projeto que acolhe bancárias vítimas de violência”

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