GDP mostra a destruição da política de pessoas da Caixa

O mecanismo de “curva forçada”, introduzido no programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) da Caixa Econômica Federal em 2021, está gerando milhares de vítimas entre os empregados do banco. Segundo a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), Fabiana Uehara Proscholdt, 65% do quadro estão classificados de razoável para ruim.

É um mecanismo retrógrado, que foi abandonado pela iniciativa privada nos anos 1980, por não conseguir melhorar o desempenho dos trabalhadores e ser utilizado apenas para reduzir remuneração e justificar demissões. Mas, a Caixa, mesmo sabendo disso, resolveu implantá-lo para ‘criar uma nova cultura empresarial’ nos gestores e seus subordinados.

Após inserir o mecanismo na GDP e ser cobrada a dar explicações, a Caixa, em reunião com a representação dos empregados, reconheceu que a “curva forçada” visa mudar a cultura dos empregados da Caixa, estabelecer valores empresariais de mercado e forçar a competição pela venda de produtos. O mecanismo conseguiu piorar ainda mais a GDP, que já era ruim por utilizar critérios subjetivos e opressores para a avaliação dos empregados.

Conforme o Regulamento do Ciclo 2021 da GDP, todos os grupos de avaliação terão limite de 5% dos empregados avaliados com o desempenho “excelente” e 30% com “excelente” e “superior”.

Além de limitar a quantidade de empregados que podem ser classificados como excelente, também define que 5% será mantido como ‘insatisfatório’. Tudo isso, independente do resultado que os mesmos tenham tido. Assim, ela é utilizada apenas como ferramenta de assédio.

Competição X colaboração – Para a representante dos empregados no Conselho de Administração (CA) da Caixa, Rita Serrano, o conceito da GDP não é adequado.

Ele incentiva a competição entre as pessoas, instiga o individualismo e acaba com a relação de solidariedade e com a produção pelo prazer e pelo bem comum.

A GDP define o pagamento do bônus Caixa, que é um pagamento para os gestores, mas há questionamento, inclusive, se os critérios para avaliação e pagamento do bônus foram aplicados de maneira correta, conforme as premissas definidas pelo próprio banco. Muitos empregados estão reclamando das enormes disparidades nas avaliações e que na segunda-feira (2) à tarde a Caixa bloqueou o acesso à avaliação.

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