Fenaban ameaça retirar cláusulas de saúde e se recusa a discutir os altos índices de adoecimento na categoria bancária; Comando Nacional reforça defesa da mesa única
A quarta rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários, realizada nesta terça-feira (21), terminou sem avanços nas discussões sobre saúde e condições de trabalho. Durante a reunião, a Fenaban também levantou a possibilidade de mudanças na forma de negociação entre bancos públicos e privados, tema rejeitado pelo Comando Nacional dos Bancários.
Outro assunto debatido foi a proposta apresentada pelos representantes dos trabalhadores para criação de um programa com juros reduzidos, voltado aos bancários endividados. A Fenaban não aceitou a proposta e indicou, como alternativa, a antecipação do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), desde que a campanha seja concluída.
Na pauta da saúde, o Comando Nacional apresentou dados que apontam o aumento dos afastamentos por transtornos mentais na categoria. Segundo a Consulta Nacional dos Bancários 2026, realizada com cerca de 55 mil trabalhadores, 40% afirmaram ter utilizado medicamentos controlados no último ano. Entre os principais impactos da cobrança por metas estão preocupação constante com o trabalho, cansaço, desmotivação, ansiedade e dificuldades para dormir.
Os representantes dos trabalhadores defenderam medidas para reduzir o adoecimento, como o combate às metas abusivas e ao assédio, a implementação das normas de prevenção de riscos psicossociais (NR-1 e NR-17), garantia de atendimento aos trabalhadores adoecidos e manutenção da remuneração durante os afastamentos.
Sem consenso, as negociações sobre saúde serão retomadas na próxima rodada, marcada para 30 de julho.
Além disso, o Comando Nacional aprovou a realização de um Dia Nacional de Luta e Mobilização, em 28 de julho, para reforçar as reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários.
