Categoria cobra aumento real, valorização dos pisos, melhores vales, PLR e piso para trabalhadores de TI
O Comando Nacional dos Bancários volta a se reunir com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira (18), para a oitava rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários.
Na última reunião, realizada na quinta-feira (13), os bancos não apresentaram proposta de reajuste salarial. As únicas propostas foram congelar o piso de ingresso dos novos bancários e dividir o reajuste em três faixas salariais, sem informar os critérios ou percentuais.
Os bancos também chegaram a propor vales refeição e alimentação menores para trabalhadores do interior, o que criaria diferenças entre regiões do país. A Fenaban ainda ameaçou recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas recuou após um intervalo nas negociações.
Diante desse cenário, o Comando Nacional aprovou assembleias em todo o país e a realização de paralisações e manifestações no dia 20 de agosto, em defesa das reivindicações da categoria.
O que os bancários reivindicam, aumento real nos salários, PLR e vales refeição e alimentação; valorização dos pisos e criação de um piso para trabalhadores de TI; fim das metas abusivas, do assédio algorítmico e do monitoramento permanente; mais contratações para reduzir filas, sobrecarga e estresse; igualdade salarial e de oportunidades para mulheres, negros, indígenas, PCDs e LGBTQIA+ e mais oportunidades para mulheres na área de tecnologia.
Enquanto os bancos acumulam resultados expressivos, os trabalhadores enfrentam redução de postos, salários e benefícios.
O patrimônio líquido do setor bancário chegou a R$ 1,2 trilhão em 2025. Entre 2015 e 2025, foram fechados 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências, enquanto os cinco maiores bancos aumentaram em 49% os contratos com correspondentes bancários.
A remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados poderá chegar a R$ 12,5 milhões em 2026 — cerca de 120 vezes a remuneração anual de um escriturário.
Mesmo com a digitalização, as agências continuam importantes: em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações nas unidades físicas, cerca de 28,6 milhões por dia útil.
O lucro médio por empregado chega a R$ 438 mil, enquanto 40% dos bancários utilizaram medicamentos controlados entre maio de 2025 e maio de 2026.
O vale-alimentação acumula perda de 13% entre 2019 e 2025, e o vale-refeição, de 3,7% entre 2023 e 2025. Para recuperar o poder de compra do VA de 2019, o benefício teria que subir de R$ 924,47 para R$ 1.293,73, um aumento de 40%.
Desde 2016, a folha de pagamento dos bancos caiu 7% e, sem considerar a PLR, a redução chega a 11%.
A PLR dos bancos privados também caiu: passou de percentuais que chegavam a 14% em 1995 para uma média de 5,9% em 2025.
Nesta terça-feira, trabalhadores e bancos voltam à mesa. A categoria espera uma proposta que reconheça o valor do trabalho bancário, recupere perdas e avance nas reivindicações da Campanha Nacional.
LINHA DO TEMPO DAS NEGOCIAÇÕES
24 de junho | Entrega da Pauta de Reivindicações
O Comando Nacional entrega oficialmente a minuta à Fenaban e abre as mesas específicas dos bancos públicos (BB, Caixa, BNB, BNDES) e privados (Bradesco, Itaú, Santander, Mercantil).
Categoria bancária entrega minuta de reivindicações à Fenaban
02 de julho | 1ª Rodada — Cláusulas Sociais
Movimento sindical reivindica melhorias em cláusulas sociais relacionadas às pessoas com deficiência (PCDs) e melhores condições de trabalho para toda a categoria, incluindo a implementação da escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três dias de descanso); defesa do teletrabalho e direito à desconexão. Segurança bancária digital também foi um tema abordado.
07 de julho | 2ª Rodada — Emprego e Tecnologia
Debate focado no combate às demissões, impactos das reestruturações, regulação da Inteligência Artificial, teletrabalho e fechamento de agências.
Comando Nacional exige suspensão das demissões e do fechamento de agências
16 de julho | 3ª Rodada — Igualdade de Oportunidades
Pauta focada no combate à discriminação, ampliação de direitos para mulheres, negros, pessoas com deficiência (PCD), população LGBTQIA+ e neurodivergentes.
21 de julho | 4ª Rodada — Saúde e Condições de Trabalho
Cobrança de combate às metas abusivas, enfrentamento dos riscos psicossociais e atuação nas comissões de saúde (NR-1).
30 de julho | 5ª Rodada — Cláusulas Econômicas
Apresentação dos dados de lucratividade do setor e exigência formal de aumento real nos salários, PLR, VA/VR e demais verbas.
04 de agosto | 6ª Rodada – Retorno dos banqueiros
A Fenaban (representante dos banqueiros) sugere que a PLR não deveria ser reajustada, uma vez que os bancos possuem programas próprios de remuneração variável. Comando Nacional rebate e deixa claro que categoria não renunciará a valorização na PLR.
13 de agosto | 7ª Rodada – Retorno dos banqueiros
Mais uma vez Fenaban frustra a categoria e além de não apresentar índice de reajuste, propõe congelamento do piso de ingresso para os novos bancários e reajustes diferenciados para três faixas salariais, mas sem dizer quais seriam os parâmetros dessas faixas e nem os percentuais que seriam definidos para cada uma delas.