COE cobra avanços em direitos e benefícios na primeira negociação específica com o Santander

Mesa debateu ampliação das bolsas de estudo, melhorias para PCDs, isenção de tarifas e medidas para reduzir custos com saúde dos funcionários

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander realizou, na tarde desta terça-feira (14), na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, a primeira mesa de negociação da pauta específica da Campanha Nacional dos Bancários 2026. Na abertura dos trabalhos, a coordenadora da COE, Ana Marta Lima, reafirmou que o objetivo do movimento sindical é preservar as conquistas do atual Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e avançar na ampliação de direitos.

 

“Nossa meta é manter e avançar neste Acordo Coletivo de Trabalho, pois é um acordo muito bom e que valorizamos muito. A pauta de reivindicações foi construída pelos trabalhadores de todo o Brasil, após um longo processo de debates realizados nos sindicatos, encontros estaduais e regionais, até chegar ao Encontro Nacional, realizado em junho. Sabemos que há pontos em que precisamos avançar e que o banco tem plenas condições de atender essas reivindicações”, afirmou.

 

A coordenadora explicou que a pauta reúne três grupos de propostas: manutenção das cláusulas já existentes, aperfeiçoamento de dispositivos que precisam de atualização e inclusão de novas reivindicações. Ela também solicitou que o Santander apresente respostas durante as próprias mesas de negociação ou, no máximo, no encontro seguinte.

 

Nesta primeira rodada foram debatidos três eixos: bolsas de estudo, benefícios bancários e políticas voltadas às pessoas com deficiência (PCDs).

Ampliação das bolsas de estudo

Entre as reivindicações está a ampliação do programa de bolsas de estudo para três mil vagas. A proposta prevê até 800 bolsas para primeira e segunda graduação, 1.400 para primeira e segunda pós-graduação, até 300 para a primeira especialização MBA e outras 500 destinadas prioritariamente a empregados com deficiência. O benefício corresponderia a 50% da mensalidade, limitado a R$ 906,79.
Benefícios bancários

A COE também reivindicou a isenção de todas as tarifas bancárias para os funcionários, incluindo a anuidade dos cartões de crédito, tanto do titular quanto dos adicionais, além de condições diferenciadas para financiamento imobiliário.

Outra proposta busca estender aos funcionários do Brasil um benefício já concedido pelo Santander na Espanha: a isenção de juros em operações de empréstimo.

Mais proteção para PCDs e familiares

As reivindicações voltadas às pessoas com deficiência ocuparam boa parte da reunião. Entre elas está a criação de um auxílio terapêutico para empregados com deficiência e para aqueles que possuam dependentes nessa condição, mediante apresentação de laudo médico e documentação comprobatória.

A pauta também prevê a isenção da coparticipação no plano de saúde para empregados com doenças raras, crônicas, degenerativas, Aids ou deficiência, estendendo o benefício aos trabalhadores que tenham dependentes legais nas mesmas condições.

Outro pedido garante prioridade na concessão do teletrabalho ou trabalho remoto para empregados com deficiência e para aqueles que tenham dependentes com deficiência, conforme previsto na Lei nº 13.146/2015.

Ainda sobre o trabalho híbrido, a proposta estabelece o abono de atrasos de até uma hora provocados por condições climáticas adversas, como chuvas, ventos fortes e tempestades, quando houver necessidade de comparecimento presencial.

A COE também reivindicou a ampliação do prazo para apresentação dos comprovantes de aquisição, conserto ou reparo de equipamentos utilizados por empregados com deficiência. Atualmente, o documento deve ser entregue em até um dia; a proposta amplia esse período para cinco dias.

Outro ponto discutido foi a ampliação do direito de ausência remunerada para acompanhar a internação hospitalar de filhos menores de 18 anos. A proposta prevê até dez dias úteis por ano, incluindo o dia da internação e os dias subsequentes.

Outra reivindicação apresentada pela COE prevê a redução de até 50% da jornada diária de trabalho para empregados com deficiência e para aqueles que tenham dependentes legais com deficiência. A proposta busca assegurar condições adequadas para o acompanhamento de tratamentos, consultas e demais necessidades relacionadas aos cuidados e à inclusão das pessoas com deficiência, sem prejuízo aos trabalhadores.

Reconhecimento aos trabalhadores

Ao comentar a resposta inicial do banco de que seria necessário calcular o impacto financeiro de algumas das propostas, a secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT e funcionária do Santander, Rita Berlofa, defendeu que o reconhecimento aos empregados deve ser proporcional à contribuição dada pelos trabalhadores ao crescimento da instituição.

“Nosso esforço precisa ser reconhecido. Nós construímos o sucesso desse banco no Brasil e merecemos reconhecimento e tratamento melhor”, afirmou.

As negociações terão continuidade nos dias 22 de julho, no período da tarde, e 28 de julho, pela manhã, quando a COE espera receber as primeiras devolutivas do banco sobre as reivindicações apresentadas.

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