Caixa dá uma no cravo, outra na ferradura

A Caixa Econômica Federal realizou, nesta sexta-feira (22), lives nacionais e regionais para incentivar a venda de seguros, cartões de crédito e outros produtos bancários para clientes que contratarem financiamentos habitacionais e empresas que utilizarem recursos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

Na verdade, o evento teve a finalidade de informar que os empregados devem empurrar produtos para os clientes que buscarem recursos no banco. A Caixa diz que está mudando a estrutura e criando mecanismo para inibir o assédio, mas, na prática, cria mecanismos que estimulam e facilitam o assédio. É uma no cravo e outra na ferradura.

O banco anunciou, inclusive, prêmios para os empregados que cumprirem as metas. Por exemplo, as unidades que atingirem a meta de 150% do item prestamista no fechamento de julho recebem um kit com copo térmico, caderno e mochila.

Para o Pronampe Vida Empresarial, oferecem 10% de desconto no seguro de vida empresarial global e orientam os empregados a aproveitarem o ‘benefício’ para empurrar o seguro junto com o contrato de financiamento. Perde o cliente, que é forçado a contratar um produto que não precisa, e perde o empregado, que é forçado a empurrar um produto que o cliente não precisa para cumprir a meta estabelecida pelo banco.

Na live nacional, para explicação das ações voltadas ao Pronampe, a Caixa chegou a apresentar um cronograma com datas definidas para cada medida a ser tomada. Até o dia 25 de julho devem ser efetivados os pré-contratos, com possibilidade de reserva dos recursos, que serão creditados nas contas dos pré-contratados efetivados até o dia 27.

Social X Comercial – A prática, na verdade, é similar à venda cruzada, que é proibida no Brasil. A Caixa é um banco público de caráter eminentemente social, mas a estratégia utilizada pela gestão Pedro Guimarães, que está sendo mantida pela nova presidenta, Daniella Marques, é a mesma utilizada pelos bancos privados, que exercem pressão e assédio moral sobre seus empregados.

O mais grave é a determinação que cita percentuais específicos para o cross selling para cada tipo de empresa que contratar financiamento do Pronampe. Cross selling é a venda cruzada de produtos ou serviços para os clientes que compram um produto ou contratam um serviço.

Sentimento dos empregados -O SINDBAN e todos os sindicatos recebem, diariamente, dezenas de lamentações de empregados que dizem se sentir mal por se verem forçados a “empurrar” produtos ou serviços para clientes que não têm qualquer interesse, nem necessidade de adquiri-los. A orientação é institucional e precisa acabar. Ela estimula o assédio moral de gerentes e superintendentes sobre os empregados.

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