Mobilização percorreu agências no centro de Piracicaba; atividades seguem nesta quarta-feira (18) em cidades da base
O Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região (SindBan) realizou, nesta terça-feira (17), mais uma edição do Dia de Luta, com mobilização no centro de Piracicaba que reuniu dirigentes sindicais, trabalhadores e equipe da instituição em um forte ato público contra o fechamento de agências, as demissões e a crescente precarização do atendimento bancário.
A atividade teve início em frente à agência do Itaú Unibanco, onde os dirigentes dialogaram diretamente com bancários e clientes, destacando como o processo de reestruturação dos bancos tem impactado não apenas os trabalhadores, mas toda a população, especialmente os mais vulneráveis. Em seguida, o ato seguiu para o Bradesco, mantendo a estratégia de diálogo, distribuição de boletins e escuta ativa da sociedade.
Mais do que uma mobilização pontual, o ato foi marcado por falas que denunciaram o modelo de negócio adotado pelas instituições financeiras, baseado na maximização dos lucros em detrimento das condições de trabalho e da qualidade do atendimento. Durante as intervenções, dirigentes reforçaram que a luta da categoria bancária é também uma luta social, em defesa de um serviço essencial que vem sendo progressivamente desmontado.
O presidente do SindBan, José Antonio Fernandes Paiva, destacou a contradição entre os resultados financeiros dos bancos e a realidade enfrentada nas agências. Segundo ele, enquanto os lucros seguem em patamares históricos, os trabalhadores convivem com demissões, metas abusivas e adoecimento crescente. “Os bancos nunca lucraram tanto, mas esse resultado não se traduz em melhores condições de trabalho nem em atendimento digno à população”, reforçou.
A vice-presidente do SindBan, Angela Savian, trouxe para o centro do debate a pauta das mulheres, destacando que o ambiente bancário também reproduz desigualdades estruturais. Em sua fala, pontuou casos de assédio moral, psicológico e sexual, além da persistência do preconceito de gênero. Angela também alertou para o cenário alarmante de violência contra a mulher no país, reforçando que o combate a essas práticas deve ser coletivo e permanente.
Contradições escancaradas – Durante o ato, os dirigentes também apresentaram dados que evidenciam a lógica contraditória do setor bancário. No caso do Bradesco, o banco registrou lucro líquido de R$ 24,7 bilhões em 2025, crescimento de 26%, ao mesmo tempo em que eliminou cerca de 7,5 mil postos de trabalho nos últimos cinco anos — sendo 1.923 vagas apenas no último ano.
Mesmo com menos trabalhadores e menos agências, as receitas com tarifas bancárias cresceram 8,9%, revelando que os clientes seguem pagando mais por serviços cada vez mais restritos, enfrentando filas, demora no atendimento e dificuldades de acesso.
No Itaú, o cenário se repete: lucros bilionários combinados com fechamento de unidades e redução do quadro funcional, o que intensifica a sobrecarga nas agências remanescentes e contribui para o adoecimento dos trabalhadores, além de comprometer diretamente a qualidade do atendimento à população.
Mobilização segue na região: As atividades do Dia de Luta continuam nesta quarta-feira (18), com mobilizações programadas nos municípios de Tietê, Cerquilho, Charqueada, Capivari e São Pedro. As ações fazem parte de um calendário ampliado que percorre as cidades que integram a base territorial do SindBan, formada por 22 municípios em sua área de atuação.
