Programa de comissionamento gera revolta e expõe política de desvalorização dos empregados

A divulgação do programa de comissionamento Super Caixa, realizada pela direção da Caixa Econômica Federal, provocou indignação entre os empregados em todo o país. O anúncio, feito no último dia 17 de março, trouxe não apenas frustração em relação aos valores e prazos de pagamento, mas preocupação com o endurecimento das regras para 2026, ampliando barreiras e reduzindo ainda mais o acesso às comissões.

A insatisfação dos trabalhadores se agrava diante de um cenário contraditório: justamente no período em que a Caixa alcançou resultados históricos, especialmente na área de seguridade, o banco opta por limitar o pagamento das comissões.

Além disso, a decisão de dividir o pagamento — com o bloco “Sinergia” sendo pago em março e o “Conexão” apenas em abril — reforça a percepção de falta de valorização e respeito com os empregados. Na prática, o modelo atual transforma um programa que deveria incentivar, em um mecanismo de contenção de custos.

Para 2026, o programa se torna ainda mais restritivo. A inclusão de novos critérios, como produtos da área de Asset, experiência do cliente e resultado financeiro, amplia o nível de exigência sem garantir proporcional reconhecimento.

Outro ponto crítico é a dependência de indicadores como NS e CSAT, que muitas vezes estão fora do controle direto dos empregados, mas impactam diretamente no recebimento das comissões. Além de cumprir os indicadores estabelecidos no alcance.caixa, NS e CSAT, o bloco Sinergia, que representa as comissões pela venda de produtos, que a gestão Carlos Vieira insiste em chamar de “premiação” prevê um novo item: os produtos da Asset. Já ao bloco “Conexão”, que representa o que seria o Bônus Caixa serão acrescentados dois módulos: experiência do cliente e resultado financeiro.

Além disso, a criação de níveis baseados nas chamadas “dimensões core” introduz um redutor que, na prática, diminui o valor a ser pago — mesmo quando há esforço e resultado em vendas.

Relatos colhidos em diversas unidades apontam que muitos empregados não receberão qualquer comissão, mesmo tendo realizado vendas, devido a critérios considerados pouco transparentes e injustos. O modelo atual, implementado de forma pouco dialogada com as entidades representativas, aprofunda desigualdades dentro das equipes e fragiliza o ambiente de trabalho.

Para o diretor do SindBan, Ubiratan Campos do Amaral, “o que vemos é um distanciamento cada vez maior entre o discurso institucional e a realidade nas agências. O trabalhador entrega resultado, bate meta, sustenta o banco — mas, na hora do reconhecimento, encontra regras mais duras e pagamentos menores. Isso não é incentivo, é desestímulo.”

O diretor Murici Tondato destaca, “não é aceitável que um programa de comissionamento seja utilizado como ferramenta de economia às custas dos trabalhadores. A Caixa precisa respeitar quem constrói seus resultados. O Super Caixa, da forma como está, penaliza o empregado e distorce completamente o conceito de valorização.”

O SindBan reforça que continuará pressionando a direção da Caixa para que o programa seja revisto, garantindo critérios justos, transparência e reconhecimento efetivo do trabalho dos empregados.

Também será ampliado o diálogo com a categoria, incentivando que os trabalhadores relatem suas experiências e contribuam para a construção de uma pauta consistente de reivindicações.

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