Na rodada de negociação realizada na quinta-feira (30), o Comando Nacional dos Bancários apresentou à Fenaban as reivindicações sobre as cláusulas econômicas da Campanha Nacional 2026. A pauta inclui aumento real dos salários, reajuste da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), dos vales refeição e alimentação (VR e VA), valorização do piso da categoria e adoção do Salário Mínimo Necessário do Dieese para os cargos de entrada e para os trabalhadores de Tecnologia da Informação.
As reivindicações são sustentadas pelos resultados do setor bancário. Em 2025, os cinco maiores bancos lucraram R$ 124 bilhões e todo o sistema financeiro registrou lucro líquido de R$ 171 bilhões. O patrimônio líquido do setor chegou a R$ 1,2 trilhão, e a rentabilidade dos bancos permaneceu, em média, 2,3 vezes acima da taxa Selic e três vezes superior à inflação.
Estudos do Dieese mostram que os bancários perderam poder de compra nos últimos anos. O vale-alimentação acumulou perda de 13% entre 2019 e 2025, enquanto o vale-refeição caiu 3,7% entre 2023 e 2025. Para recuperar o mesmo poder de compra do VA de 2019, seria necessário um reajuste de aproximadamente 40%.
Os dados também apontam que, desde 2016, os bancos reduziram em 7% as despesas com pessoal e, sem considerar a PLR, essa queda chega a 11%. Embora a Convenção Coletiva permita distribuir até 15% do lucro em PLR, em 2025 apenas a Caixa atingiu esse percentual e o Banco do Brasil chegou próximo. Já os maiores bancos privados reduziram, ao longo dos anos, a parcela dos lucros destinada à PLR.
A Consulta Nacional dos Bancários mostrou que o aumento real dos salários é a principal prioridade da categoria, seguido pela valorização da PLR e pelo reajuste maior nos vales alimentação e refeição.
Ao final da negociação, a Fenaban informou que irá analisar as reivindicações econômicas e apresentar uma resposta nas próximas rodadas.