{"id":10062,"date":"2021-07-23T21:36:50","date_gmt":"2021-07-23T21:36:50","guid":{"rendered":"https:\/\/site.bancariosdepiracicaba.com.br\/2021\/07\/23\/negros-sao-maioria-da-populacao-mas-minoria-no-mercado-de-trabalho\/"},"modified":"2021-08-11T22:05:00","modified_gmt":"2021-08-12T01:05:00","slug":"negros-sao-maioria-da-populacao-mas-minoria-no-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bancariosdepiracicaba.com.br\/?p=10062","title":{"rendered":"Negros s\u00e3o maioria da popula\u00e7\u00e3o, mas minoria no mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"<p>21\/03\/2017 &#8211; 15:22<\/p>\n<p>No Dia Internacional Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, SindBan promoveu Caf\u00e9 da Manh\u00e3 para discutir o assunto<\/p>\n<p> \u201c;O racismo deu certo no Brasil \u201c;. A fala do jornalista e historiador, Ivan Galv\u00e3o, abriu a roda de conversa que aconteceu na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira (21), na sede do SindBan (Sindicato dos Banc\u00e1rios de Piracicaba e Regi\u00e3o), para refletir sobre o Dia Internacional Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial. Por cerca de 2 horas, dirigentes sindicais, autoridades e militantes debateram sobre o preconceito, inser\u00e7\u00e3o do negro no mercado de trabalho, pol \u00edticas p\u00fablicas para o empoderamento da mulher e a autoestima das crian\u00e7as negras.<\/p>\n<p>Apesar de representarem 54% do pa \u00eds, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat \u00edstica), os negros n\u00e3o s\u00e3o vistos no mercado financeiro. A pesquisa &lsquo;Perfil Banc\u00e1rio&rsquo;, realizada pelo SindBan, apontou que apenas 3,80% da categoria \u00e9 composta por homens e mulheres negras. Para o presidente do SindBan, Jos\u00e9 Antonio Fernandes Paiva, \u00e9 essencial que esse mapeamento seja realizado em outras esferas trabalhistas.  \u201c;Para lutarmos pela inser\u00e7\u00e3o do negro no mercado de trabalho, precisamos mostrar, com dados, que em algumas categorias a porcentagem \u00e9 irris\u00f3ria. Deixo como tarefa para outros sindicatos, para que fa\u00e7am essa pesquisa \u201c;, comentou o sindicalista.<\/p>\n<p>Segundo o advogado Jos\u00e9 Silvestre, \u00e9 necess\u00e1rio mostrar para as crian\u00e7as negras da periferia que existem exemplos de pessoas negras ocupando cargos importantes.  \u201c;O poder judici\u00e1rio do Brasil \u00e9 branco, voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea negros advogados. Na sa\u00fade, voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea negros m\u00e9dicos. A crian\u00e7a negra da periferia acha que a \u00fanica op\u00e7\u00e3o que ela tem, que \u00e9 a que ela conhece, \u00e9 ser traficante. Quando voc\u00ea insere negros no alto escal\u00e3o, voc\u00ea espelha meninos e meninas negras de todo o pa \u00eds \u201c;, comentou.<\/p>\n<p>Para as mulheres negras a dificuldade de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho \u00e9 ainda maior. Apenas 31,3% das mulheres negras ocupadas com 16 anos ou mais, em 2014, possu \u00edam carteira assinada, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domic \u00edlios (PNAD) de 2014. Em Piracicaba e Regi\u00e3o, por exemplo, das 752 mulheres entrevistadas pelo Perfil Banc\u00e1rio, apenas 12 se declararam negras. Para o presidente do Conepir (Conselho Municipal de Participa\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Piracicaba) e membro do Inspir (Instituto Sindical Interamericano Pela Igualdade Racial), Adney Ara\u00fajo, as mulheres negras se fortalecem academicamente para se manter em seus cargos.  \u201c;As mulheres negras fazem faculdade, p\u00f3s, doutorado, apenas para se manterem em seus cargos, j\u00e1 que o mercado de trabalho n\u00e3o deixa elas se igualarem ou superarem \u201c;, comentou.<\/p>\n<p>Ara\u00fajo comentou, tamb\u00e9m, que o crime de racismo \u00e9 o 2\u00ba mais cometido na internet, perdendo apenas para a pedofilia  \u201c;N\u00f3s, negros, j\u00e1 estamos em tantas estat \u00edsticas ruins, socialmente falando. Somos os que mais morremos, os que menos tem inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, os que mais est\u00e3o nas favelas, na internet n\u00e3o poderia ser diferente. Precisamos acabar com a cultura de que a internet \u00e9 &lsquo;terra de ningu\u00e9m&rsquo;, racismo \u00e9 crime e precisa ser denunciado \u201c;, explicou.<\/p>\n<p>Dia Internacional Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial<\/p>\n<p>Em 21 de mar\u00e7o de 1960, 69 estudantes africanos foram mortos e 186 ficaram feridos na cidade de Shaperville durante um protesto contra o regime do Apartheid. A multid\u00e3o foi oprimida pela pol \u00edcia do regime, que abriu fogo sobre as pessoas, que estavam desarmadas. Em mem\u00f3ria ao massacre, a ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) instituiu a data como reflex\u00e3o sobre a luta contra o racismo.<\/p>\n<p>Fatos da luta dos negros contra o racismo e a discrimina\u00e7\u00e3o racial:<\/p>\n<p>1452: Portugueses negociam o primeiro acordo de com\u00e9rcio de escravos africanos.<\/p>\n<p>1503: Espanh\u00f3is e portugueses come\u00e7am a trazer escravos africanos para o Caribe e Am\u00e9rica Central para substituir os nativos americanos nas minas de ouro.<\/p>\n<p>1694: No Brasil, o quilombo de Palmares (PE), um dos maiores locais de ref\u00fagio dos escravos africanos, que chegou a ter mais de 20 mil pessoas, segundo os pesquisadores, \u00e9 invadido e destru \u00eddo. Seu l \u00edder, Zumbi, foge, mas \u00e9 capturado e decapitado no ano seguinte, em 20 de novembro.<\/p>\n<p>1810: A Inglaterra declara ilegal o tr\u00e1fico negreiro e o pr \u00edncipe regente Dom Jo\u00e3o VI se compromete a estabelecer a aboli\u00e7\u00e3o gradual da pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>1831: A Lei Feij\u00f3, que pro \u00edbe o tr\u00e1fico negreiro, apesar de aprovada, \u00e9 descumprida. Anos mais tarde, em 1850, a Lei Eus\u00e9bio de Queiroz refor\u00e7a a proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>1834: A Inglaterra promove a aboli\u00e7\u00e3o do trabalho escravo em suas col\u00f4nias.<\/p>\n<p>1871: O Brasil aprova a Lei do Ventre Livre, que estabelece que filhos de escravos nascidos a partir daquela data seriam considerados livres ao completarem 8 anos.<\/p>\n<p>1885: Em mais uma tentativa de abolir gradualmente a escravid\u00e3o, \u00e9 aprovada a lei que liberta escravos de mais de 65 anos, mediante indeniza\u00e7\u00e3o. Os propriet\u00e1rios, por\u00e9m, passam a alterar os registros para burlar a idade de seus escravos.<\/p>\n<p>1888: Ap\u00f3s v\u00e1rias revoltas de negros pelo pa \u00eds, a princesa Isabel, com a aprova\u00e7\u00e3o pelo Parlamento, assina a Lei \u00e1urea, abolindo a escravatura no Brasil.<\/p>\n<p>1910: A resist\u00eancia dos trabalhadores negros contra a explora\u00e7\u00e3o e a mentalidade escravocrata da marinha brasileira culmina com a Revolta da Chibata, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>1931: Jos\u00e9 Correia Leite, Arlindo Veiga dos Santos, Francisco Lucr\u00e9cio e Raul Joviano do Amaral lideram a Frente Negra Brasileira, um movimento de repercuss\u00e3o nacional, de mobiliza\u00e7\u00e3o popular que saiu de S\u00e3o Paulo e atingiu v\u00e1rios estados do pa \u00eds. (V \u00eddeo: Acervo Cultne)<\/p>\n<p>1934: Livres, mas sendo considerados cidad\u00e3os de segunda classe, os negros s\u00f3 conseguiram conquistar o direito ao voto.<\/p>\n<p>1944: O Teatro Experimental do Negro (TEN) foi idealizado, fundado e dirigido por Abdias Nascimento, com o objetivo de valorizar o negro e sua cultura por meio do teatro, englobando cidadania e conscientiza\u00e7\u00e3o racial. O projeto revelaria mais tarde talentos como Ruth de Souza, Jacyra Sampaio, L\u00e9a Garcia e Aguinaldo Camargo.<\/p>\n<p>1945: A Conven\u00e7\u00e3o Nacional do Negro Brasileiro reuniu propostas da comunidade negra para a Constituinte de 1946, entre elas a formula\u00e7\u00e3o de uma lei anti-discriminat\u00f3ria.<\/p>\n<p>1951: \u00e9 aprovada a Lei Afonso Arinos, que estabelece a pena de um ano de pris\u00e3o ou multa por racismo. Em 1989, a pr\u00e1tica passa a ser considerada como crime inafian\u00e7\u00e1vel pela Lei Ca\u00f3.<\/p>\n<p>1954: \u00e9 publicado o livro  \u201c;Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem \u201c;, de Oracy Nogueira, parte do projeto de pesquisa da UNESCO sobre rela\u00e7\u00f5es raciais no Brasil, acirrando os debates em torno do tema. No ano seguinte, \u00e9 publicado  \u201c;Negros e Brancos em S\u00e3o Paulo \u201c;.<\/p>\n<p>1955: A pris\u00e3o da costureira negra Rosa Parks nos Estados Unidos causou indigna\u00e7\u00e3o aos defensores dos direitos humanos em todo o mundo e teve grande repercuss\u00e3o entre os grupos de negros no Brasil. Rosa foi presa na cidade de Montgomery, no Alabama, ap\u00f3s se negar ceder o lugar onde estava no \u00f4nibus a um homem branco, violando a lei que mantinha a segrega\u00e7\u00e3o racial no transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>1960: Pobre e negra, a escritora Carolina Maria de Jesus lan\u00e7a o livro Quarto de Despejo: di\u00e1rio de uma favelada, em S\u00e3o Paulo. Com descri\u00e7\u00f5es comuns do cotidiano, como acordar, buscar \u00e1gua, fazer o caf\u00e9 e narrativas fortes que desvendavam a vida de uma mulher negra da periferia, a obra teve grande repercuss\u00e3o. Ap\u00f3s o lan\u00e7amento, seguiram-se tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es, com um total de 100 mil exemplares vendidos, tradu\u00e7\u00e3o para 13 idiomas e vendas em mais de 40 pa \u00edses.<\/p>\n<p>1964: No Brasil, a publica\u00e7\u00e3o do livro  \u201c;A integra\u00e7\u00e3o do Negro na Sociedade de Classes \u201c;, do soci\u00f3logo Florestan Fernandes coloca a t\u00e3o propagada democracia racial brasileira como um mito. A obra tem grande repercuss\u00e3o e \u00e9 considerada um marco na sociologia brasileira.<\/p>\n<p>1965: Malcolm X, um dos defensores do Nacionalismo Negro nos Estados Unidos, \u00e9 assassinado enquanto discursava no Harlem, um dos bairros negros de Nova Iorque. Ao contr\u00e1rio de Martin Luther King, que apostava em uma resist\u00eancia pac \u00edfica contra o racismo, Malcolm defendeu inicialmente a separa\u00e7\u00e3o das ra\u00e7as e a cria\u00e7\u00e3o de um Estado aut\u00f4nomo para os negros sob as ben\u00e7\u00e3os do Isl\u00e3. Tempos depois, ap\u00f3s uma viagem &agrave; Meca, adotou um tom mais conciliat\u00f3rio que desagradou seus seguidores. Foi morto com 13 tiros, ao lado de sua mulher Betty, que estava gr\u00e1vida, e de suas quatro filhas, por um militante do movimento negro.<\/p>\n<p>1966: A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) institui o 21 de mar\u00e7o como Dia Internacional de Luta pela Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial em refer\u00eancia ao Massacre de Sharpeville, ocorrido seis anos antes.<\/p>\n<p>1968: O Brasil assina a Conven\u00e7\u00e3o sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o Racial adotada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) desde 1965.<\/p>\n<p>Famoso pela luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos atrav\u00e9s da n\u00e3o viol\u00eancia, o pastor Martin Luther King Jr. foi assassinado em 4 de abril, na varanda do hotel onde estava hospedado em Memphis, no estado do Tennessee. Sua morte repercutiu internacionalmente e at\u00e9 hoje ele \u00e9 tido como inspira\u00e7\u00e3o para ativistas negros em todo o mundo.<\/p>\n<p>1969: Durante a ditadura militar, a Lei de Seguran\u00e7a Nacional de 11\/03\/1967 colocava como crime contra a seguran\u00e7a do Estado Brasileiro incitar publicamente ao \u00f3dio ou &agrave; discrimina\u00e7\u00e3o racial incluindo veicula\u00e7\u00e3o na imprensa, panfletos radiodifus\u00e3o ou televis\u00e3o. A medida, no entanto, refor\u00e7ou a repress\u00e3o sobre os ativistas do movimento negro, que eram acusados de fazer propaganda  \u201c;marxista \u201c; e incentivar conflitos raciais.<\/p>\n<p>\u00e9 fundado o Centro de Estudos Africanos da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Sob a dire\u00e7\u00e3o de Clovis Moura, o centro organizava palestras e pesquisas acad\u00eamicas em conjunto com Florestan Fernandes sobre a tem\u00e1tica do negro brasileiro. Tinha suas atividades monitoradas pelo DEOPS &#8211; SP.<\/p>\n<p>O ator Z\u00f3zimo Bulbul \u00e9 o primeiro negro a protagonizar uma telenovela. Tamb\u00e9m \u00e9 o primeiro negro a ser modelo de uma grife de alta-costura no Brasil.<\/p>\n<p>1974: Com o objetivo de valorizar a cultura afrobrasileira, \u00e9 criado o bloco O Il\u00ea Aiy\u00ea, o primeiro bloco afro do Brasil, em Salvador, na Bahia.<\/p>\n<p>1978: Os 90 anos da Aboli\u00e7\u00e3o s\u00e3o marcados por in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es de protesto, mesmo durante o Regime Militar. O N\u00facleo Negro Socialista participa da forma\u00e7\u00e3o do Movimento Unificado Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial (MUCDR), com protestos nas ruas contra a Ditadura Militar, o mito da democracia racial e a viol\u00eancia policial. Ainda neste ano, o MUCDR lan\u00e7a o Manifesto Nacional da Consci\u00eancia Negra.<\/p>\n<p>1979: O presidente Ernesto Geisel restabelece o pluripartidarismo e formaliza a abertura pol \u00edtica com a Lei Federal n&deg; 6.767\/79.<\/p>\n<p>1980: O Censo Demogr\u00e1fico Brasileiro volta a coletar informa\u00e7\u00f5es sobre cor e ra\u00e7a ap\u00f3s protestos dos ativistas e intelectuais contra a pol \u00edtica de branqueamento da popula\u00e7\u00e3o: branco (54,77%), preto (5,87%), pardo (38,45%) e amarela (0,63%).<\/p>\n<p>1985: A Lei Ca\u00f3 (Lei n\u00ba 7437\/85) classifica o racismo e o impedimento de acesso a servi\u00e7os diversos por motivo de ra\u00e7a, cor, sexo, ou estado civil como crime inafian\u00e7\u00e1vel, pun \u00edvel com pris\u00e3o de at\u00e9 cinco anos e multa.<\/p>\n<p>1986: Durante a Conven\u00e7\u00e3o Nacional do Negro, realizada em Bras \u00edlia, o movimento negro faz propostas &agrave; Constituinte, como a cria\u00e7\u00e3o de um tribunal especial para o julgamento dos crimes de discrimina\u00e7\u00e3o racial.<\/p>\n<p>1988: A Constitui\u00e7\u00e3o Federal garante &agrave;s comunidades remanescentes de quilombos a propriedade das terras ocupadas por elas.<\/p>\n<p>1989: Promulgada em 5 de janeiro de 1989, a Lei Ca\u00f3 (Lei n&deg; 7716\/79) inovou ao caracterizar a pr\u00e1tica de racismo como crime pass \u00edvel a pena de reclus\u00e3o de dois a cinco anos. Anteriormente, a Lei Afonso Arinos (Lei 1390\/51) tratava a quest\u00e3o apenas como contraven\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n<p>1988: No Centen\u00e1rio da Aboli\u00e7\u00e3o, v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es ocorrem pelo pa \u00eds. No Rio de Janeiro, a Marcha contra a Farsa da Aboli\u00e7\u00e3o re\u00fane cerca de 5 mil pessoas, enfrentando a repress\u00e3o do Ex\u00e9rcito. Ainda neste ano, \u00e9 realizado o I Encontro Nacional de Mulheres Negras e o governo federal cria a Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares,&nbsp; voltada para promo\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o da arte e da cultura afro-brasileira.<\/p>\n<p>1990: Em 11 de fevereiro de 1990, Nelson Mandela foi libertado, ap\u00f3s passar 28 anos na pris\u00e3o pelo seu engajamento contra o apartheid racial na \u00e1frica do Sul.<\/p>\n<p>1992: \u00e9 realizado o I Encontro de Mulheres Afro- Latino-Americanas e Afro-Caribenha em Santo Domingo\/Rep\u00fablica Dominicana. Nesse encontro foi institu \u00eddo o Dia da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha.<\/p>\n<p>1999: \u00e9 criada a Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>2000: \u00e9 fundado o F\u00f3rum Nacional de Mulheres Negras, que reivindica a elabora\u00e7\u00e3o e a efetiva\u00e7\u00e3o das pol \u00edticas p\u00fablicas para mulheres negras. Tamb\u00e9m neste ano, \u00e9 criada a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN), com o objetivo de congregar os pesquisadores negros e promover confer\u00eancias, reuni\u00f5es, cursos e debates no interesse da pesquisa sobre temas de interesse direto das popula\u00e7\u00f5es negras no Brasil.<\/p>\n<p>2002: A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) \u00e9 a primeira universidade a ter cotas raciais. Como a\u00e7\u00e3o afirmativa para a popula\u00e7\u00e3o negra, s\u00e3o reservadas 50% das vagas para candidatos oriundos da rede p\u00fablica de ensino e 40% para candidatos que se declaram pretos(as) ou pardos(as).<\/p>\n<p>2003: A Lei 10639\/2003 altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o (LDB 9394\/1996) para incluir o ensino de Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira e Africana no curr \u00edculo oficial da rede p\u00fablica e privada de ensino.<\/p>\n<p>2005: Cerca de 100 mil pessoas participam da I Confer\u00eancia Nacional de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial (CONAPIR) em Bras \u00edlia. A confer\u00eancia aponta propostas para a elabora\u00e7\u00e3o do Plano Nacional de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial e \u00e9tnico.<\/p>\n<p>2007: \u00e9 realizado o Encontro Nacional da Juventude Negra (ENJUNE), na Bahia. Cerca de 800 pessoas entre delegados, coordenadores e convidados compareceram ao evento nacional para levar as contribui\u00e7\u00f5es da juventude negra debatidas nos encontros estaduais.<\/p>\n<p>2008: \u00e9 fundada a Comiss\u00e3o Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (CONAJIRA), com o objetivo de apoiar os jornalistas negros e combater a discrimina\u00e7\u00e3o racial na m \u00eddia.<\/p>\n<p>Estatuto da Igualdade Racial \u00e9 tido como um grande marco na luta contra o racismo e a desigualdade \u00e9tnico-racial no Brasil. Imagem: IRDEB<\/p>\n<p>2010: \u00e9 promulgado o Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288\/2010), que garante &agrave; popula\u00e7\u00e3o negra a efetiva\u00e7\u00e3o igualdade de oportunidade e dos direitos \u00e9tnicos individuais e coletivos e o combate &agrave; discrimina\u00e7\u00e3o e &agrave;s formas de intoler&acirc;ncia \u00e9tnica.<\/p>\n<p>2012: \u00e9 promulgada a Lei de Cotas (Lei n\u00ba 12.711), que garante que at\u00e9 2016 seja feita a reserva de 50% das matr \u00edculas por curso e turno nas 59 universidades federais e 38 institutos federais de educa\u00e7\u00e3o a alunos oriundos do Ensino M\u00e9dio P\u00fablico. Os demais 50% das vagas permanecem para ampla concorr\u00eancia. Das vagas reservadas para a escola p\u00fablica, metade ser\u00e1 destinada para estudantes com renda mensal familiar at\u00e9 um sal\u00e1rio m \u00ednimo e meio e para estudantes autodeclarados negros ou pardos ou ind \u00edgenas, de acordo com o percentual desta popula\u00e7\u00e3o na localidade, seguindo dados estat \u00edsticos do IBGE.<\/p>\n<p>Universidades federais devem alcan\u00e7ar meta de oferta de metade das vagas para alunos de escolas p\u00fablicas. Medida favorece o acesso de estudantes de baixa renda, negros, ind \u00edgenas ao ensino superior p\u00fablico.<\/p>\n<p>2016: Universidades e institui\u00e7\u00f5es federais de ensino devem cumprir a meta de oferecer 50% das vagas universit\u00e1rias para estudantes de escolas p\u00fablicas, institu \u00edda pela Lei de Cotas. Dessas vagas reservadas &agrave;s cotas, metade s\u00e3o para estudantes de escolas p\u00fablicas com renda familiar bruta igual ou inferior a um sal\u00e1rio m \u00ednimo e meio per capita e metade para estudantes de escolas p\u00fablicas com renda familiar superior a um sal\u00e1rio m \u00ednimo e meio. Em ambos os casos, tamb\u00e9m \u00e9 considerado para a oferta de vagas o percentual m \u00ednimo correspondente ao da soma de pretos, pardos e ind \u00edgenas no estado, de acordo com o \u00faltimo censo demogr\u00e1fico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat \u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Linha do Tempo: Contraf-CUT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21\/03\/2017 &#8211; 15:22 No Dia Internacional Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, SindBan promoveu Caf\u00e9 da Manh\u00e3 para discutir o assunto \u201c;O racismo deu certo no Brasil \u201c;. 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