.: Dados enviesados desinformam sobre estatais

O governo Bolsonaro ensaia uma campanha para vender empresas estatais a preço de banana. Para tanto, não faltam ajudantes como a reportagem do Jornal O Estado de São Paulo que tem por título “Estatais têm salários médios de até R$ 31 mil, 13 vezes a média do brasileiro”.

A matéria diz que “estatais brasileiras pagam salários médios de até R$ 31,3 mil” e compara com o salário médio do brasileiro, que em 2020, ficou “abaixo de R$ 2,5 mil”. A reportagem foi feita com base em documento do Ministério da Economia divulgado nesta terça-feira (2).

Em outro trecho, a reportagem afirma que ‘a União precisou aportar no ano passado R$ 17 bilhões em 18 dessas estatais, que são dependentes do Tesouro”.

Esse argumento é falacioso na medida em que as estatais superavitárias e lucrativas como os bancos públicos por exemplo, geram receitas suficientes para pagar a folha de pagamento dos empregados e ainda enviar dividendos para o Tesouro Nacional que é acionista dessas empresas.

Portanto através dos dividendos distribuídos por essas empresas e dos impostos gerados por suas atividades, as empresas estatais garantem na verdade uma melhora nas contas públicas.

Bancos públicos lucrativos - Os bancos públicos brasileiros contribuíram em 2019 com R$ 18,19 bilhões para o Tesouro Nacional. Somente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aportou R$ 9,54 bilhões no Tesouro. A Caixa Econômica Federal entrou com outros R$ 4,77 bilhões, e o Banco do Brasil com R$ 3,71 bilhões. O Banco do Nordeste (BNB) também depositou R$ 18 milhões no Tesouro. Todos são bancos lucrativos, que atendem a população de menor renda e que estão na mira da campanha de privatização do governo Bolsonaro.

A divulgação e sistematização de salários e benefícios pagos em empresas estatais poderia ser encarada como medida salutar e transparente. No entanto, quando tais informações são divulgadas de forma distorcida e equivocada, essa divulgação cumpre o papel de confundir e desinformar a população, tentar reforçar estereótipos e colocar a população brasileira contra trabalhadores de empresas públicas com o objetivo claro de facilitar o desmonte e a privatização dessas empresas, que são patrimônio do próprio povo brasileiro.

Reforma administrativa - A presidenta da Contraf-CUT avalia que a matéria passa uma falsa visão de que funcionários públicos são privilegiados. Privilégio é o auxílio moradia de um ministro, de um juiz que já tem residência.

O governo quer a reforma administrativa para atingir os trabalhadores. Vai deixar de fora da reforma administrativa os altos salários, as chamadas funções de estado, os juízes, procuradores.

Para o presidente o Sindban, José Antonio Fernandes Paiva, “a Reforma de Bolsonaro vai pegar a base da população, tanto nos municípios como nos estados e na União. Essa reforma vai prejudicar, por exemplo, os trabalhadores da Saúde, que têm um salário superbaixo e que estão na frente da luta contra a Covid-19”, comentou.

A reportagem também é contestada pelo economista Gustavo Cavarzan, do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese). “O relatório não faz as devidas mediações dos dados na medida em que apresenta apenas o salário médio sem levar em conta a enorme desigualdade salarial dentro das empresas estatais que faz com que a grande maioria dos trabalhadores na verdade fique muito distante dos salários médios divulgados. No Banco do Brasil, por exemplo, o menor salário pago em 2020 foi de R$ 3.022, enquanto o salário do presidente do banco foi de R$ 68.781, ou seja, uma diferença de 23 vezes. Na Caixa o menor salário pago em 2020 foi de R$ 3.000 e o maior foi de R$ 56.197, uma diferença de 20 vezes”, destaca o economista.

Aquecimento da economia - A campanha privatista do governo Bolsonaro nega o papel social dos bancos públicos. O atual governo não leva em conta o papel fundamental das empresas estatais para o desenvolvimento do país e para o aquecimento da atividade econômica e geração de emprego, principalmente em um momento de crise profunda como o que vivemos atualmente, onde soluções do mercado via setor privado servirão apenas para aprofundar ainda mais a crise econômica e social que o Brasil se encontra.

Interessante que a reportagem não cita por exemplo que o ministro da Economia, Paulo Guedes tem um salário mensal de R$ 30,9 mil. Além do salário, o ministro recebe auxílio de mais de R$ 8 mil mensais, somando os R$ 7.733, de auxílio moradia e R$ 458 de auxílio-alimentação.

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