.: Como seria o enfretamento da pandemia sem a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil?

No ano de 2020, em meio a uma das mais graves crises econômicas e sociais das últimas décadas, os bancos públicos se mostraram essenciais a fim de amenizar os efeitos da pandemia do novo coronavírus.

A Caixa atendeu mais de 100 milhões de brasileiros por meio do pagamento dos auxílios emergenciais e o Banco do Brasil foi a instituição financeira que mais concedeu crédito para as micro e pequenas empresas. Tudo isto ocorreu sob um governo de orientação estritamente neoliberal, que pretende desmantelar o Estado e as empresas públicas.

Sob este cenário, economista e dirigentes sindicais bancários reuniram-se virtualmente nesta quinta-feira (28), no Fórum Social Mundial, a fim de debater e reforçar o papel dos bancos públicos na economia e a sua importância para a sociedade no painel “A Defesa da Caixa e do Banco do Brasil frente aos ataques neoliberais do governo Bolsonaro”.

O economista Sérgio Mendonça, do site Reconta Aí, enumerou a atuação e os efeitos diferenciados dos bancos públicos na economia e na sociedade:

Bancos privados têm horror a qualquer tipo de risco: enfrentamento da crise foi e está sendo um papel da Caixa e do Banco do Brasil, tanto em 2008 como agora em 2020 – com o Pronampe, pagamento do auxílio-emergencial e FGTS;

Corrigem falhas de mercado: são os públicos, e não os privados que investem nas regiões menos desenvolvidas e na população de renda média e mais baixa;

São os principais financiadores do longo prazo: No Brasil, 86% do crédito (acima de 5 anos) é feito pelos bancos públicos;

Operam as grandes políticas sociais: Minha Casa, Minha Vida; agricultura familiar; apoio a infraestrutura, entre outras. Segundo Mendonça, a cada R$ 1 captado pelos bancos públicos, R$ 9 retornam para a sociedade (segundo as regras de Basileia);

Bancariazam a população de renda mais baixa: quase mil municípios só possuem agências de bancos públicos, e centenas não têm nenhuma. Sem os bancos públicos, milhares de brasileiros teriam muito mais dificuldade de acessar programas sociais ou qualquer atendimento bancário;

Rentáveis e sociais: São capazes de ganhar nas linhas comerciais que mais dão retorno, e aplicar nas políticas sociais;

Compram títulos do governo: financiam as políticas macroeconômicas através do financiamento da dívida pública;

Podem acelerar o crescimento econômico: têm a capacidade de subsidiar linhas de crédito;

Podem regular o mercado: como foi feito na crise financeira de 2008, os bancos públicos têm a capacidade de puxar para baixo a taxa de juros.

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