.: Saúde dos bancários pede socorro

Campanha 2018: saúde dos bancários pede socorro

A política de gestão dos bancos faz da categoria uma das que mais adoece. Bancários ainda enfrentam problemas para cuidar da saúde ou quando retornam após afastamento. Fenaban deve apresentar proposta às reivindicações da categoria nesta terça 7, e trabalhadores fazem assembleia na quarta 8

 

Um trabalhador vende para a empresa a sua força de trabalho, e não a sua saúde. Mas o trabalho nos bancos, cuja gestão se baseia em metas abusivas, assédio moral, competitividade e sobrecarga, é responsável pelo alto nível de adoecimento na categoria, principalmente por LER/Dort (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) e transtornos psíquicos como depressão, síndrome do pânico e ansiedade.

 

Não são poucos os relatos de sofrimento físico e psíquico que chegam à Secretaria de Saúde do Sindicato dos Piracicaba. Muitos deles descrevem a rotina de sobrecarga e cobranças que o levou a ter bursite, tendinite e depressão profunda, com sintomas psicóticos e pensamentos suicidas.

 

Assédio moral

Casos de assédio moral também são numerosos: “Seus burros, bando de acéfalos incompetentes, não sabem fazer nada. Se eu pudesse, trocava todos vocês, mas não tem problema que aos poucos eu faço”, essa era a forma de tratamento de uma gestora do Santander, relatada por outra bancária.

 

Obstáculos para cuidar da saúde

Como se não bastasse adoecer, os bancários ainda enfrentam dificuldades para tratar adequadamente da saúde e até mesmo quando retornam ao trabalho.

Um dos primeiros obstáculos enfrentados pelo bancário que adoece é a recusa por parte dos bancos de atestados de médicos particulares, que na maioria das vezes são conveniados ao plano de saúde do trabalhador.

Em um dos casos atendidos pelo Sindicato, a bancária apresentou atestado médico, mas o banco exigiu que ela passasse por avaliação complementar, com profissional ligado à empresa. Porém, na data marcada (23 de fevereiro) ela estava internada no hospital. Assim, mesmo com perícia médica no INSS agendada para o dia 28 de fevereiro, teve ausências descontadas pelo banco a partir do dia 23 e, posteriormente, teve a licença recusada em 13 de março, dia em que venceram seus atestados.

 

Reivindicações

Diante desse cenário, saúde e melhoria das condições de trabalho são reivindicações importantes para a categoria na Campanha Nacional Unificada 2018. Após cinco rodadas de negociação, a Fenaban (federação dos bancos) se comprometeu em apresentar, na terça-feira 7, uma proposta global para a pauta dos bancários, que atenda não só as demandas de saúde, mas também de remuneração, como aumento real nos salários e demais verbas; de emprego, com proteção contra os contratos precários previstos pela reforma trabalhista; de igualdade de oportunidades, entre outras.

 

Sindicatos de todo o país chamaram assembleias para apreciar a proposta já no dia seguinte: quarta-feira 8. A dos bancários de Piracicaba e região será às 18h, na Sede dos Bancários (Rua Quinze de Novembro, 549, Centro).

 

“É essa assembleia que vai deliberar sobre a proposta apresentada pelos bancos. Portanto, todos os bancários de nossa base, sindicalizados ou não, devem participar”, conclama a diretora de saúde do SindBan, Olivia Brossi.

Bruna Togni com informações SP Bancários

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