.: Obama resistirá à social democracia?

O presidente do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região, vereador José Antonio Fernandes Paiva (PT) escreve artigo sobre a decadência do sistema neoliberal em todo o mundo e faz uma breve avaliação sobre o surgimento de um movimento político de âmbito mundial: a Social Democracia Global, ou simplesmente SDG.

 

Paiva acredita que Obama entra para a história como um líder escolhido para derrubar velhas teses neoliberais, já abandonadas por Nicolas Sarkozy e Gordon Brown. Tendência que, segundo Paiva, tem reflexos também no Brasil. O parlamentar cita como exemplos a divisão dentro do PSDB e a jogada de marketing do PFL que apenas mudou a embalagem. Confira a seguir, a íntegra do artigo.

 

A falência do neoliberalismo e os novos desafios

José Antonio Fernandes Paiva

 

A ordem econômica mundial que sufocou o socialismo marxista do leste europeu e, na América Latina, utilizou-se do FMI para controlar e retardar o desenvolvimento de países sul-americanos está em ruínas. Esfacela-se como os bancos americanos e as empresas que, historicamente, presenciaram e financiaram a ascensão de gestores comprometidos única e exclusivamente com o ganho, com o lucro, com o capital, a qualquer custo.

 

A crise mundial que tantos proclamam não é apenas econômica, mas política. Crise neoliberal, crise da social democracia que se vai junto com George Bush e seus seguidores. Mas vem Obama, um novo Kennedy - influente com habilidade suficiente para dialogar com a sociedade e restabelecer a ordem econômica. Será? Obama não fará milagres, nem tem a solução imediata para estancar a crise e devolver ao mundo a estabilidade desejada. A já anunciada ajuda aos bancos americanos, à indústria automobilística, às seguradoras etc, precede o socorro que deveria ter sido priorizado aos trabalhadores americanos e não-americanos que já perderam seus empregos ou estão em vias de. Mudanças?

 

As incertezas continuam soltas. O abandono das teses neoliberais torna-se tangível. Na França, por exemplo, Nicolas Sarkozy anunciou a criação de um fundo de investimentos voltados inovação tecnológica porque teme que seu país possa se converter apenas em atração turística. Mas não é no trabalhador que pensa o presidente francês, talvez na sobrevivência política de seu país, um dos pilares do capitalismo. Entretanto, foi o premier inglês, Gordon Brown quem chamou para si a responsabilidade de criar um novo modelo político-econômico de reinventar o neoliberalismo com nuances sociais, afrouxando um pouco o torniquete do pescoço dos trabalhadores, ou seja: propôs o que chamou de “capitalismo fundado na aliança”. Em outras palavras, um sistema que, segundo ele, incorporaria todos os benefícios dos mercados e dos fluxos de capitais globais que minimizaria os riscos de crises e desmoronamentos, amparando os mais vulneráveis.

 

As investidas de Sarkozy que ocupa a presidência da União Européia e de Gordon Brown ecoaram por todo hemisfério norte, ganhando adeptos como Koffi Anan, Joseph Stiglitz, George Soros e Bill Gates que subscrevem o nascimento de uma mistura de social democracia européia com o neoliberalismo americano, ou o que o cientista político filipino, Walden Bello chama de Social Democracia Global - SDG.

 

Porém, antes mesmo de a crise financeira se tornar mundial, os simpatizantes da SDG já sinalizavam como uma alternativa para a desgastada e desacreditada globalização neoliberal. Crise de identidade que chegou ao Brasil provocando sérios desentendimentos e rachas em ninho tucano e também no PFL, que optou por mudar apenas sua embalagem: virou ‘Democratas’.

 

Evoluir é sempre bom e necessário, sobretudo, em um momento de grandes incertezas mundiais. Só quem vive uma crise consegue, de fato, encontrar uma saída, uma rota de fuga. Assim, a SDG pode ser considerada um avanço no campo político do pensamento mais conservador, porque quebra velhos paradigmas, mesmo que tal ruptura tenha significado a exploração da classe trabalhadora por décadas.

 

Para o movimento libertário, que sempre repeliu teses neoliberais a SDG pode representar uma ameaça, mas também uma enorme oportunidade para redefinir o seu papel na sociedade. O reposicionamento do pensamento socialista passa, necessariamente, pela sua capacidade de articular forças políticas progressistas a fim de garantir o controle democrático e participativo tanto da economia nacional quanto internacional, a fim de que a reconstrução de uma nova ordem mundial passe, obrigatoriamente, pela libertação dos oprimidos, emancipação individual e, principalmente, valorização de todos os trabalhadores.

 

 

José Antonio Fernandes Paiva é vereador pelo Partido dos Trabalhadores e presidente do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região

 

.: Veja Mais

Imagem Indisponível

Aprovado novo plano de saúde e odontológico do Itaú Unibanco

Imagem Indisponível

Contraf-CUT participa da 15ª Conferência Internacional Anticorrupção

Imagem Indisponível

TROCA DO RG PELO NOVO CARTÃO DE IDENTIDADE COM CHIP COMEÇA NO DIA 17

SINDBAN TV

Enviar e-mail para amigo
X



Captcha:
O link da notícia será enviado automaticamente
Reportar erro!
X
Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo.
O link da notícia será enviado automaticamente




Captcha:
Menu
Enviar e-mail para amigo
X



Captcha:
O link da notícia será enviado automaticamente