.: Bancos: onde estão os negros?

O dia 20 de novembro representa a luta pela valorização dos negros e negras e reforça a bandeira da equidade na sociedade. Negar que existe desigualdade entre brancos e negros é ignorar dados que apontam as diferenças no mercado de trabalho. E exemplo disso está na pesquisa perfil bancário realizada pelo Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região, que efetivou o mapa do negro no setor financeiro e teve um resultado alarmante.

Segundo o levantamento feito entre os bancários nos meses de janeiro e março de 2018, apenas 3,9% dos bancários em Piracicaba e Região (base engloba mais 29 cidades) são negros nos bancos. Se comparar a população negra com o índice de bancários negros, a discriminação fica mais evidente, uma vez que 54% da população brasileira é negra, conforme dados do IBGE. 

“Para se ter uma noção da diferença racial dentro dos bancos, observe ao ir a uma agência quantos negros trabalham na instituição ou se estão presentes na propaganda institucional espalhada nos banners e folders do banco, lembrando que mais da metade da população brasileira é negra. Infelizmente, a realidade da inclusão e da igualdade está longe do que nós do movimento sindical sonhamos”, comenta o Presidente do Sindicato dos Bancários, José Antônio Fernandes Paiva.

Com a intenção de conversar sobre o assunto e discutir políticas e ações para mudar esse cenário em 2019 o Sindicato dos Bancários de Piracicaba recebeu na noite de quarta-feira (13) alguns membros da sociedade de Piracicaba, entre eles:  Acácio Godoy (Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Piracicaba), Leonor Peres (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), José Silvestre da Silva (Associação dos Advogados Criminalistas de Piracicaba),  Sérgio Luis Souza (Conselheiro Conepir, e Sindicato dos Municipais).

Acácio comentou sobre a necessidade e da dificuldade de falar do problema. “A gente ainda não conseguiu ter o direito de falar do problema, as pessoas nos negam o direito de falar do problema, tratam como ‘mimimi’, como frescura. Por exemplo, nós sabemos que a auto-regulamentação não funciona, se deixarmos o mercado sem uma regulamentação as grandes empresas engolem as pequenas. Com a população negra isso ocorre, nós tivemos um impacto com a escravidão, e o Estado lucrou muito com a escravidão, e isso foi um crime com a humanidade, especifico com a etnia negra, como foi o holocausto, por isso na conferência internacional foi decidido que a dívida com a etnia negra começaria a ser sanada com políticas públicas, por isso surgem os acessos, as notas adicionais, as cotas para a “entrada”. As cotas são basicamente o Estado mostrando que não consegue dar uma educação pública de qualidade para o negro periférico”, comenta.  

A luta pela valorização dos negros deve ser defendida, e para isso, a data do dia 20 de novembro vem para enfatizar que do jeito que está não está certo, não está de acordo. Políticas afirmativas, ações de valorização aliadas à bandeira da igualdade racial são pautas para o ano todo e, nesta data da consciência negra, nos faz reforçar o compromisso que cada um temos com a humanidade de sermos iguais e termos igualdade de oportunidade, o que infelizmente, não faz parte da nossa realidade no sistema financeiro, nos cargos de chefia das empresas privadas, na publicidade, no mercado de trabalho

 “O que a frieza dos números, que já são bem ruins em relação a representatividade negra nos bancos, não mostra é que a maioria dos negros estão em posições de pouca visibilidade, em locais de pouco destaque. O que fica ainda pior no caso dos pretos. Quanto mais escuro o tom da pele, mais relegado é o bancário a posições de pouca visibilidade. Isso também vale para a hora da contratação”, avalia Marcelo Abrahão, dirigente do SindBan e membro do coletivo de combate ao racismo da Cut – Campinas.

Bruna Togni MTB 081055/SP

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