.: Bancos brasileiros afirmam que pagam bônus "conservador" a executivos

TONI SCIARRETTA
da Folha de S.Paulo
EDUARDO CUCOLO
da Folha de S.Paulo, em Brasília 

Um dia após o Banco Central anunciar abertura de audiência pública para discutir a remuneração do alto comando dos bancos, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirmou que o sistema financeiro nacional tem uma política "conservadora" de bonificação dos executivos e que adota práticas rigorosas de controle de riscos.

Desde ontem, o BC recebe propostas para criar regras para a remuneração dos executivos das instituições financeiras. A ideia é que a remuneração variável leve em conta o resultado em longo prazo da instituição e não estimule os executivos a tomarem decisões imprudentes, como fazer empréstimos a maus pagadores, só para cumprir metas de curto prazo e elevar o valor do bônus.

A federação dos bancos afirmou que vai colaborar com as propostas sugeridas pelo G20, o grupo de países que encabeça as discussões de regulação do sistema financeiro global. Segundo a Febraban, o Brasil dispõe de instrumentos regulatórios eficazes, além de práticas de governança corporativa mais avançadas do que na maioria dos países. "No caso brasileiro, os reguladores estão à frente no trato das questões prudenciais, não apenas pelo histórico da economia brasileira, mas também pelo entendimento da importância de se ter um sistema financeiro saudável", afirmou em nota.

Segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, a proposta colocada em audiência pública visa apenas evitar que os executivos arrisquem a solvência de seus bancos. "A ideia é muito simples. É meramente evitar que, para inflacionar a própria remuneração, os executivos assumam riscos que depois sejam negativos para a economia, para o país e para o próprio sistema financeiro."

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a mudança compromete o executivo com a solvência do banco em que atua. "A proposta não diminui o ganho, apenas difere no tempo, de modo que eles não se apropriem do ganho independentemente da consequência das ações que tiveram", disse.

No Brasil, os bancos divulgam em linhas gerais as políticas de remuneração, incluindo pagamento por meio de ações, mas não detalham os valores pagos para cada executivo.

O Itaú e o Santander têm um comitê específico para discutir o assunto. O Bradesco não paga executivos por meio de ações.

Nos bancos públicos, não há remuneração variável baseada em ações e outros benefícios de longo prazo. Os executivos dessas instituições recebem apenas um adicional na forma de participação nos lucros. BB e Caixa Econômica Federal já divulgam hoje, por exigência legal, os salários dos administradores. Na Caixa, variam de R$ 17.055 a R$ 32.760. No BB, o presidente recebe R$ 41.592. Um diretor, R$ 32.130.

A partir deste ano, todas as empresas de capital aberto terão de detalhar anualmente a política de remuneração dos executivos e abrir o valor dos maiores salários da diretoria e do conselho de administração.

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